Setor registra crescimento superior a 60% nos últimos cinco anos, amplia geração de empregos, atrai produções internacionais e fortalece políticas de diversidade e inclusão
O setor audiovisual do Rio de Janeiro vive um momento de forte crescimento econômico, de expansão da produção e de consolidação internacional. Dados do “Anuário do Audiovisual do Rio 2026”, elaborado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico (SMDE), de Cultura (SMC), Riofilme e Riotur, apontam que o segmento movimentou cerca de R$ 4,7 bilhões na economia carioca em 2025, alta de 61,2% em relação a 2020. No mesmo período, a arrecadação de ISS das atividades audiovisuais cresceu 62,8%, chegando a aproximadamente R$ 70 milhões em 2025.
O levantamento aponta que a cadeia produtiva do audiovisual reúne atualmente mais de 2,7 mil empresas no município, sendo 96% voltadas para produção ou pós-produção cinematográfica. Em 2024, o setor registrou 19,7 mil empregos formais e saldo positivo de 5.575 novas vagas criadas, entre 2021 e fevereiro de 2026. Além disso, o Rio contabiliza mais de 7,8 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) ligados às atividades audiovisuais.
“A economia criativa ocupa posição estratégica no desenvolvimento econômico do município, tendo o audiovisual como um de seus segmentos mais relevantes. Os avanços observados são resultado de uma consistente de incentivo ao setor. A cidade registra cerca de 11 mil diárias de filmagem em locações públicas por ano, volume que supera, inclusive, importantes centros internacionais como Paris. A economia criativa ocupa posição estratégica no desenvolvimento econômico do município, tendo o audiovisual como um de seus segmentos mais relevantes”, ressalta o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.
A produção audiovisual também segue em crescimento. Somente em 2025, foram autorizadas 10.930 diárias de filmagem em áreas públicas da cidade, consolidando o Rio como a cidade mais filmada da América Latina, à frente de Paris e Cidade do México. O número representa crescimento de 24% em relação a 2024. Séries, longas-metragens e produções publicitárias lideram o volume de filmagens na capital fluminense.
O estudo destaca também o fortalecimento da presença internacional do Rio no setor audiovisual. Produções estrangeiras de países como Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Portugal, Chile e Emirados Árabes foram realizadas na cidade nos últimos anos. Grandes produções internacionais, como Godzilla x Kong: The New Empire, tiveram cenas gravadas no Rio de Janeiro.
Um dos principais motores desse crescimento é o mecanismo de cash rebate, política pública voltada à atração de produções nacionais e internacionais. Entre 2022 e 2025, o programa mobilizou R$166,5 milhões, sendo R$ 29,1 milhões de investimento público e R$ 138,4 milhões em recursos atraídos para a cidade. Segundo o levantamento, para cada R$ 1 investido pelo município, R$ 6,47 são movimentados na economia do setor
“Se traduzíssemos a trajetória recente do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro em narrativa, ela reuniria novas frentes estratégicas que se articulam entre si: de inovação a data centers e inteligência artificial ao mercado financeiro, passando pela transição energética e mercado de crédito de carbono. Esse conjunto de agendas revela o caráter multifacetado e integrado das políticas voltadas ao crescimento da cidade e vem somar a um setor que vem se consolidando -a economia criativa, que envolve o Carnaval e as mais importantes manifestações e indústrias culturais da cidade”, destaca o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Rio, Osmar Lima.
A Prefeitura do Rio, por meio da RioFilme, investiu cerca de R$ 282 milhões em mais de 600 projetos entre 2021 e o primeiro trimestre de 2026. O objetivo é fortalecer a cadeia produtiva, ampliar a competitividade internacional do Rio e incentivar a geração de empregos e renda. “Os dados deste estudo referendam a importância estratégica do audiovisual, cujo impacto cultural, econômico e social contribui significativamente para consolidar o Rio como polo criativo global”, afirma o secretário municipal de Cultura do Rio, Lucas Padilha.
O anuário também destaca os avanços em diversidade e inclusão promovidos pelos editais públicos do setor audiovisual. Entre os projetos selecionados, propostas lideradas por pessoas negras passaram de 26% para 48%. Já projetos liderados por mulheres representam 73% das propostas selecionadas. Houve ainda crescimento significativo na participação de pessoas indígenas, trans, idosas e moradores de regiões de menor IDH da cidade.
Além da força econômica, o Rio segue como principal mercado consumidor do cinema brasileiro. Entre 1995 e 2024, o estado respondeu, em média, por 71% do público e 70% da renda do cinema nacional. Em 2024, foram lançados 68 filmes produzidos no estado, praticamente igualando o recorde histórico de 2017.
“O lançamento do Anuário da Indústria do Audiovisual Carioca representa um marco. Mais do que reunir dados e evidências, a publicação reafirma o compromisso com a transparência, e o reconhecimento do audiovisual como vetor estratégico de desenvolvimento econômico, cultural e social para a cidade. À frente da RioFilme, temos trabalhado para consolidar uma visão simples, mas estratégica: o audiovisual precisa ser tratado como indústria, política pública e ferramenta de transformação social. Nesse momento decisivo para o setor, o Rio não se contenta em ser apenas cenário. O Rio é plataforma. Esperamos que o Anuário contribua para que essa plataforma gere mais filmes, mais séries, mais empregos, mais empresas, mais inclusão, mais autoestima e mais desenvolvimento para os cariocas”, avalia o presidente da RioFilme, Leonardo Edde.



