ANUÁRIO DA INDÚSTRIA AUDIOVISUAL CARIOCA 2026

O “ANUÁRIO DA INDÚSTRIA AUDIOVISUAL CARIOCA” é um estudo elaborado pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico (SMDE), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e a Riofilme, que trata desse importante setor produtivo do município do Rio de Janeiro.

Em sua segunda edição, o estudo reúne e analisa um conjunto amplo de informações oficiais dos âmbitos federal, estadual e municipal, bem como estudos nacionais e internacionais para traçar um panorama econômico detalhado da indústria audiovisual no município do Rio de Janeiro, incluindo a sua inserção no contexto nacional e global.

São detalhados dados sobre o faturamento e a arrecadação de impostos no município e no estado, a organização das empresas do setor, incluindo sua distribuição por porte, atividade econômica e localização geográfica, a geração de empregos e postos de trabalho, o volume de produção audiovisual realizada no município, o investimento realizado pela prefeitura no setor de 2021 a 2025 e seus resultados. .

Nesta edição, o Anuário expande o seu escopo em relação a sua versão anterior incluindo um conjunto detalhado de informações consolidadas sobre as filmagens realizadas na cidade, organizadas pela Rio Film Commission, como: volume de diárias, detalhado por bairro, região, tipo de produção e nacionalidade das empresas produtoras, entre outros. .

A pesquisa traz ainda um recorte específico sobre a produção independente carioca, incluindo o volume de empresas constituídas no município e registradas na ANCINE por ano, e sua produtividade no setor, o impacto da produção cinematográfica carioca no market share do cinema brasileiro e os dados sobre a produção audiovisual de séries para TV e Streaming. .

O estudo completo pode ser baixado neste link.

SUMÁRIO EXECUTIVO

A economia do audiovisual no Rio cresceu nas últimas décadas de maneira a transformar setores culturais e produtivos da cidade em um verdadeiro ecossistema econômico, capaz de gerar renda, empregos diretos e indiretos, e externalidades urbanas que vão do turismo ao desenvolvimento de competências técnicas. Os dados demonstram que esse setor possui um intenso efeito multiplicador positivo sobre outros setores da economia local ao longo de toda sua cadeia de valor. Seu processo de expansão combina a presença histórica de grandes empresas de mídia e entretenimento, como grupos de televisão e produtoras, uma oferta crescente de profissionais qualificados em produção, direção, fotografia e pós-produção, e uma política pública municipal e federal que, especialmente desde a última década, tem estruturado incentivos, fundos e facilidades logísticas para atrair filmagens e ampliar a produção local. A magnitude desse movimento pode ser observada tanto em indicadores brutos — como o número de dias de filmagem nas ruas do Rio, que partiu de 5.014 dias em 2021 para 10.930 dias, mais que o dobro, em 2025, segundo a RioFilme — quanto em iniciativas públicas recentes: em 2025 e 1º trimestre de 2026 a Prefeitura, em parceria com a Ancine, investiu R$ 139,1 milhões no setor audiovisual carioca, um aporte recorde que ilustra o protagonismo institucional no estímulo à atividade. .

Sobre a arrecadação de impostos (ISS) do setor audiovisual no município do Rio,a arrecadação aumentou 62,8% nos últimos cinco anos, passando de aproximadamente R$ 43 milhões em 2020 para mais de R$ 70 milhões em 2025, com um aumento de R$ 27,5 milhões. Nesse período (2021-2025), o setor do audiovisual arrecadou aproximadamente mais de R$ 350 milhões de impostos (ISS). .

A movimentação econômica do setor audiovisual aumentou 61,2% nos últimos cinco anos, passando de R$ 2,9 bilhões em 2020 para R$ 4,7 bilhões em 2025, com um aumento de R$ 1,8 bilhão. .

O estado do Rio, por sua vez, arrecadou aproximadamente R$ 75 milhões de ICMS desse setor em 2025, seis vezes menos do que em 2017. O decréscimo da arrecadação de ICMS das atividades audiovisuais no período, reflete as mudanças no ecossistema do setor provocadas pela emergência do vídeo por demanda, e em particular o seu impacto nos segmentos de TV Paga e TV Aberta. No que concerne à TV Paga, embora ainda se configure como um segmento de mercado relevante, informações do Painel de Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) demonstram que no período de 2016 a 2025, houve uma queda de 59,6%% na base de assinantes de TV Paga, que se reflete em uma redução expressiva do faturamento do serviço. .

De acordo com a Ancine (2019), o setor audiovisual compreende a indústria cinematográfica e videofonográfica do país, isto é: os agentes de produção, distribuição e exibição dos segmentos de cinema (salas de exibição), TV paga (comunicação eletrônica de massa por assinatura), TV aberta (radiodifusão de sons e imagens), vídeo doméstico e vídeo por demanda. Segundo dados do registro de agentes econômicos da agência, até dezembro de 2025, 1.759 empresas estabelecidas no município do Rio de Janeiro tinham atividade econômica principal relativa ao setor audiovisual. Os dados fornecidos pela Ancine indicam ainda a existência de outras 947 empresas sediadas no município do Rio, cuja atividade principal não pertence ao setor audiovisual, mas que possuem atividades econômicas secundárias relativas ao setor, totalizando 2.706 empresas. .

Em termos de volume total de empresas audiovisuais no município do Rio de Janeiro, os dados da RAIS – MTE revelam haver 566 estabelecimentos com ao menos um empregado. Utilizando o mesmo período para fins de comparação, de acordo com os dados da Ancine, até 2024, havia 1.575 estabelecimentos com atividade principal audiovisual registrados na agência. Ao cotejarmos os dados, é possível estimar que pouco mais de ⅓ das empresas são empregadoras. Do total de 566 estabelecimentos, a maior parte (43,5%) era de atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão. Considerando as atividades de produção e pós-produção cinematográfica de vídeo e televisão, a participação era de 52,7%..

O estoque de empregos formais no setor audiovisual por código CNAE, que eram, em dezembro de 2024, 19,7 mil empregos formais na cidade do Rio de Janeiro, ao se considerar o total do setor audiovisual mais os empregos dos Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet, o que corresponde a 14,1% do total de empregos do Brasil. Ao excluir os empregos dos Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet, o número de empregos passa para 14,1 mil, o que corresponde a 17,8% do total de empregos do Brasil. Entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, compreendendo o período da pandemia, e a sua posterior recuperação, foram criadas 5.575 novas vagas de emprego formal no setor audiovisual na capital fluminense. .

Além dos empregos formais, os dados do Portal do Empreendedor revelam que em março de 2026 havia 7,8 mil Microempreendedores individuais (MEIs) registrados nas atividades elegíveis ao MEI do setor audiovisual. .

Nos últimos cinco anos a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, através da RioFilme, promoveu o renascimento de um setor que é estratégico economicamente para a cidade e para o país e, acima de tudo, faz o Rio pulsar no coração das pessoas, projetando a cidade e criando no imaginário do mundo inteiro o desejo de conhecer e viver as experiências que a cidade tem a oferecer. A estratégia direcionada a investimentos em distribuição, produção e desenvolvimento de longas-metragens, documentários, séries, jogos eletrônicos, entre outros, bem como o apoio a mostras, festivais, cineclubes e projetos de qualificação profissional, tem se consolidado como um dos principais motores de estímulo ao setor no município. .

Nos últimos anos, observa-se o aporte consistente do investimento público após um período de forte retração entre 2016 e 2020. A partir de 2021, os investimentos são retomados no valor de R$ 23,6 milhões, quase dobrando nos dois anos seguintes, alcançando R$ 55,1 milhões em 2022 e R$ 53,7 milhões em 2023. Em 2024, devido às eleições municipais, houve uma retração relativa, devido ao deslocamento da contratação dos investimentos para o início de 2025, totalizando R$ 13,7 milhões contratados naquele ano.

Em 2025 e 1º trimestre de 2026 a Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com a Agência Nacional do Cinema, Fundo Setorial do Audiovisual o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), executou o maior programa de fomento já realizado na história do município do Rio de Janeiro: R$ 130,9 milhões em recursos federais e municipais.

Somados a outros investimentos realizados pela prefeitura, os recursos já investidos entre 2025 e o 1T/2026 chegam ao maior patamar da série histórica, com R$ 139,1 milhões investidos.

No total, o investimento realizado pelo município do Rio de Janeiro no setor audiovisual no período de 2021 ao 1T/2026, somaram R$ 285,2 milhões, investidos em 619 projetos audiovisuais. Estima-se que tal montante atraiu potencialmente para o município, no período, R$ 845,7 milhões adicionais, totalizando uma movimentação potencial de R$ 1,31 bilhões. Uma relação de R$ 2,96 atraídos para cada R$ 1,00 investido.

Se considerarmos apenas os recursos de origem municipal investidos (R$ 151,5 milhões) esta relação salta para R$ 6,47 atraídos para cada R$ 1,00 investido.

Esse resultado representa um marco no fomento ao setor, superando significativamente os níveis observados ao longo da última década.

Desde 2021, os editais da Riofilme têm dispositivos inclusivos, por meio de pontuações adicionais ou reserva de vagas a propostas lideradas por mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e pessoas trans. Em 2025, foram incluídas nas políticas afirmativas as pessoas idosas. Proponentes cuja sede estão localizadas em áreas de IDH mais baixo, como nas Áreas de Planejamento (APs) 3, 4 e 5 do município ou favelas das APs 1 e 2, também ganham pontuação indutora ou cotas para ampliar as possibilidades de seleção. A efetividade da política pode ser verificada quando observada a relação entre propostas inscritas e propostas selecionadas nos últimos cinco anos.

Entre 2021 e 2025, considerando 2.905 propostas inscritas em editais que incorporam políticas afirmativas, observa-se que a proporção de propostas selecionadas de proponentes sediados em áreas de menor IDH foi superior à participação desses mesmos proponentes entre os inscritos. Enquanto representavam 17% das inscrições, corresponderam a 29% dos projetos selecionados, evidenciando um aumento de aproximadamente 71% na sua participação relativa. Essa tendência se intensifica quando analisado o recorte racial. No caso de propostas lideradas por pessoas negras, a participação passa de 26% entre os inscritos para 48% entre os selecionados, um crescimento de aproximadamente 85%. Nos demais recortes — pessoas indígenas, pessoas trans e pessoas com deficiência —, embora a base de participação seja mais reduzida, observa-se igualmente um efeito positivo dos mecanismos adotados. Propostas lideradas por pessoas indígenas passam de 2% entre os inscritos para 4% entre os selecionados, enquanto propostas de pessoas trans aumentam de 2% para 5%. No caso de pessoas com deficiência, observa-se relativa estabilidade, com 5% das inscrições e 4% dos projetos selecionados. Ainda que partam de universos mais restritos, esses resultados são significativos ao demonstrar que as políticas afirmativas também produzem efeitos concretos na ampliação do acesso e da competitividade desses grupos no âmbito do fomento público. Em conjunto, os dados evidenciam a efetividade das políticas afirmativas na promoção de maior diversidade no setor audiovisual, atuando tanto na ampliação da participação quanto na redistribuição de oportunidades entre diferentes perfis de proponentes.

No recorte etário, destaca-se que 2025 marca o primeiro ano de implementação de ações afirmativas voltadas a pessoas idosas. Nesse contexto inicial, a participação se manteve estável entre inscritos (17%) e selecionados (18%), indicando já no primeiro ciclo um nível de acesso compatível com a demanda apresentada. Até 2024, a política afirmativa relativa às mulheres incluía a liderança criativa ou a liderança administrativa da empresa ser de uma mulher. A constatação era de que mulheres à frente de empresas já era uma realidade, sendo o maior desafio gerar mais equidade em relação às lideranças criativas que incidem diretamente sobre o conteúdo como diretoras de filmes ou curadoras de mostras e cineclubes. Neste universo, o total de propostas inscritas também se configura como uma maioria entre os projetos apresentados à Riofilme (62%). O efeito indutor das políticas afirmativas reverberou também sobre a proporção de projetos selecionados, neste caso 73%.

Sobre a Rio Film Commission, área da RioFilme responsável pela execução da política pública de estímulo às filmagens na cidade do Rio de Janeiro, os resultados mais recentes mostram a continuidade dessa trajetória de sucesso. Em 2023, foram autorizadas 7.885 diárias de filmagem no município, número já expressivo e associado à realização de grandes produções para o cinema e para plataformas de streaming. Em 2024, o volume cresceu para 505 projetos e 8.782 diárias. Em 2025, a expansão se acentuou: foram 534 projetos e 10.930 diárias de filmagem realizadas em áreas públicas do Rio de Janeiro. Na comparação entre 2024 e 2025, isso representa crescimento de aproximadamente 6% no número de projetos e 24% no volume de diárias. O dado é significativo porque aponta não apenas para aumento quantitativo da atividade, mas para o fortalecimento de um ambiente de produção mais estável, atrativo e capaz de absorver obras de perfis diversos. Em outras palavras, o Rio não apenas segue filmando muito: ele vem ampliando sua capacidade de receber produções com continuidade, escala e complexidade.

A distribuição dos projetos por unidade da federação revela a forte atração exercida pelo Rio de Janeiro sobre produções de diferentes partes do país. Em 2025, a maior parte dos projetos que filmaram na cidade tem origem no próprio Rio de Janeiro, com 359 projetos e 6.951 diárias de filmagem, o que demonstra a força da produção local e a centralidade do estado na dinâmica audiovisual nacional.

Nesse sentido, o conjunto dos dados mostra que o Rio de Janeiro não apenas sustenta uma produção local robusta, mas também atrai projetos de outras regiões do país, reafirmando sua posição como um dos principais territórios de filmagem do Brasil. Mais do que indicar onde se filma, esse recorte evidencia quem escolhe filmar no Rio, reforçando a capacidade da cidade de receber produções de diferentes origens, portes e perfis

No plano internacional, os dados reforçam o posicionamento competitivo do Rio de Janeiro entre os grandes centros globais de produção audiovisual. Em 2024, a cidade registrou 8.782 diárias de filmagem autorizadas, superando Paris e Cidade do México e aproximando-se de Madrid. Em 2025, esse volume avançou para 10.930 diárias, confirmando a tendência de crescimento e consolidando o Rio como a cidade mais filmada da América Latina e uma das mais filmadas do mundo.

Nesse contexto, o mecanismo de cash rebate aparece como peça estratégica da política de atração. Lançado pela Prefeitura para ampliar a competitividade do Rio na disputa por grandes produções, ele se consolidou como instrumento importante de política industrial audiovisual. Entre 2022 e 2025, o mecanismo mobilizou mais de R$ 166,5 milhões na cidade, sendo R$ 29,1 milhões em investimento público e R$ 138,4 milhões em recursos atraídos. O dado é eloquente: para cada R$ 1 investido pelo município, cerca de R$ 4,75 foram mobilizados. Mais do que incentivo financeiro, trata-se de uma ferramenta de indução econômica, capaz de atrair produções, ampliar a contratação de serviços locais, movimentar profissionais e fortalecer a cadeia produtiva.

Dados da Ancine mostram que o número de títulos brasileiros se expandiu progressivamente entre 1995, quando apenas 14 títulos foram lançados, até atingir o valor máximo de 183 filmes em 2018. Com a chegada da pandemia da Covid-19 e as medidas de distanciamento social, o número de lançamentos caiu para 59 em 2020, com a recuperação gradativa até atingir o número de 197 títulos lançados em 2024.

Os filmes de produção majoritária no estado do Rio de Janeiro seguiram a mesma tendência, com aumento de lançamentos até 2017, quando se atingiu o maior número, 69 títulos. Em 2024, o estado quase alcançou o mesmo patamar, lançando 68 filmes.

A análise dos dados de público e renda cinematográficos demonstram ainda a relevância histórica da produção fluminense para o market share do cinema brasileiro. Na média do período da retomada (1995 – 2024), a produção carioca foi responsável por 71% do público e 70% da renda do cinema brasileiro.

É possível perceber ainda que em alguns anos, como em 1996, 1998, 2000, 2005, 2006 e 2010, essa participação superou 90%, atingindo o seu ápice em 2010. Nesse ano, o público de filmes de produção majoritária no Rio de Janeiro correspondeu a 95,7% do público total de filmes brasileiros, e a renda 95,1%. Em 2024, esse percentual voltou a ser muito alto, atingindo 87% do público e 88% da renda.